A Moça do Táxi

Publicado: 15 15UTC setembro 15UTC 2010 em Conto
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Conto por Tadeu Loppara

Quase meia-noite, rodava com o meu táxi há mais de 12 horas. Normal. Tinha de pagar o financiamento e até que fizesse isso o jeito era trabalhar até mais tarde. Ficava bem cansativo, mas valia a pena, finalmente tinha o meu próprio carro, um Siena novinho em folha, e quando a dívida acabasse, sobraria mais dinheiro para mim. Daria até para pensar em casar com a Márcia. Nossa, ela tinha paciência, 8 anos de namoro. Quase uma vida. Embora tivéssemos nossas brigas e ela pegasse no meu pé, principalmente por eu estar trabalhando à noite, eu realmente achava que ela era a mulher ideal para mim. Tínhamos bons sentimentos e ainda me emocionava quando ela dizia que me amava. Não aquele “te amo amor” casual, mas o “eu te amo” me olhando nos olhos e com a voz profunda vinda do coração.

Não tinha o que reclamar, as coisas pareciam que finalmente estavam dando certo. Bom, não estava no emprego que sonhava, mas enfim, era bem melhor que o último, como auxiliar de escritório. Não suportava ficar preso atrás de uma mesa, com uma rotina que não mudava nunca e ainda agüentar um chefe chato. Sim, porque o seu Antenor era um saco, mal humorado, mal amado e ainda por cima corintiano. Isso era demais para um palmeirense fanático como eu. E quando o Corinthians ganhava então, tinha que suportar bem quietinho toda euforia e todo tipo de gozação. Mas se o Palmeiras saía vitorioso, ai ai ai o mau humor do chefe era insuportável e juro: se alguém falasse alguma coisa, podia até ser despedido.

Se tivesse deixado me levar pelo o que eu realmente gostava, eu teria uma vida completamente diferente. Na verdade era apaixonado por cinema e sonhava quando mais jovem em ser um grande diretor, mas a vida revelou outros caminhos para mim. Logo tive que me sustentar sozinho, meu pai falecera quando tinha 15 anos e depois disso as coisas ficaram muito difíceis em casa. Não houve mais lugar para sonhos. Agora, apenas gostava de imaginar cenas de filmes, histórias inventadas por mim mesmo na hora. Olhar a cidade como um grande cenário e escolher trilhas sonoras para lugares e situações. Parecia meio inútil todo esse exercício mental, visto que nunca ia dar em nada. Bom pelo menos ajudava a passar o tempo, principalmente à noite. Era o meu horário preferido, a cidade quase nua descortinando seus personagens obscuros.

Um dos lugares que mais gostava era a Rua Augusta, melhor dizendo a sua parte do centro, ou seja, da Avenida Paulista para baixo. Para mim esse pedaço de São Paulo tinha um ar todo especial. De dia uma rua comercial como outra qualquer, mas à noite tudo mudava, os bares e boates ganhavam outra vida, novos personagens tomavam conta das calçadas, e o cimento virava passarela de putas e travestis com seus mais variados coadjuvantes. Gostava de imaginar histórias ao passar por ali, e ultimamente para dar vida como se fosse um filme real, colocava no CD Player do meu carro a música “Devolva-me” da Adriana Calcanhotto. Achava que combinava com o clima depressivo da rua e com as histórias que construía na minha cabeça.  Histórias de amor que acabavam em dor e sofrimento.

“…Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor
Meu bem!

O retrato que eu te dei
Se ainda tens
Não sei!
Mas se tiver
Devolva-me!
Deixe-me sozinho
Porque assim
Eu viverei em paz…”

Descia embalado por esses versos, quando quase no final da rua uma mulher ergueu o braço e fez um sinal. Parei e abri a porta. Ela usava um casaco comprido e grosso, estava frio com uma garoa bem fina. Ela entrou com um pouco de dificuldade. Era bonita com cabelos castanhos lisos que se espalhavam pelos ombros.  Mas era uma beleza pálida com um estranho brilho nos olhos, como se tivesse acabado de chorar.

- Boa noite! Qual o endereço?

Ela falou, mas não pude ouvir. O som saiu abafado, me inclinei para trás e ela repetiu com certo esforço quase se encostando ao meu ouvido.

- Rua Boaventura, 23. Por favor.

Fomos todo o trajeto em silêncio. Achei melhor não puxar conversa, era claro que ela estava com problemas para falar.

Chegamos num sobrado simples com sua pintura amarela já meio desgastada.

- A corrida deu 20 reais – falei tentando mostrar um pouco de simpatia.

Ela estendeu uma nota de 20.

Peguei e coloquei na carteira.

- Obrigado.

Abri a porta e ela saiu devagar, parou no meio da calçada, virou e me olhou por um momento, um olhar estranho, meio triste, meio melancólico. Por fim foi em direção a casa e entrou.

Naquela noite fiz mais uma corrida, um senhor de Porto Alegre que veio a negócios e aproveitou para dar uma esticadinha numa casa noturna. Quando fui dar o seu troco, pensando em aproveitar a nota de 20, a única que recebi naquele dia, ela tinha sumido. Fiquei um pouco intrigado, pois tinha certeza que colocara o dinheiro na carteira. Ou será que a moça não tinha me dado realmente o dinheiro. Enfim dei o troco ao senhor e não pensei mais nisso.

Na noite seguinte, fazendo o mesmo trajeto e seguindo o mesmo ritual, coloquei a música da Adriana Calcanhoto e novamente desci a Augusta. Para a minha surpresa, a moça da noite passada estava lá, no mesmo local, com o braço estendido fazendo sinal.

Parei da mesma forma e abri a porta. Tudo se repetiu, a voz abafada e o mesmo endereço.

Ao chegar ao local, o valor da corrida: 20 reais.

Agora prestaria mais atenção, para ter certeza que o dinheiro iria realmente para carteira. Ela pagou novamente com uma nota de 20 e saiu da mesma maneira. Segurei a nota e olhei bem para ela enquanto pegava a carteira. De repente uma freada e uma buzina forte. Virei por reflexo olhando para esquina de trás. Quase uma batida entre dois carros. Voltei a olhar para minha mão e para o meu espanto a nota tinha desaparecido.  “O que era aquilo! Cacete! Que truque foi esse?” A garota tinha de alguma forma me enganado. Desliguei o carro e fui até a casa. “Ah! Ela vai ter que me explicar direitinho essa sacanagem!”

Apertei a campainha e nada, novamente e nada, com mais insistência e nada. Abri então o portão já sem paciência e fui até a porta. Bati com vigor. Mas a porta estava apenas encostada e se abriu com a primeira batida. Por um momento hesitei, mas tomado pela raiva entrei.

- Moça! Onde está você? Quero meu dinheiro. Agora quero um de verdade.

Na casa o ar estava pesado, um cheiro estranho e ruim tomava conta de tudo. As luzes ali estavam apagadas, só no andar de cima parecia ter alguma claridade. Um frio passou pela minha espinha ao ouvir lá de cima a mesma música da Adriana Calcanhoto que colocara na Augusta, subi vagaroso.

- Moça! Você está ai?

Cheguei ao andar de cima e a luz vinha de um quarto. Caminhei agora temeroso. Tive um impulso de dar meia volta e sair dali o mais rápido possível, aquilo estava cheirando encrenca, mas algo não deixava, algo me fazia ir adiante.

Cheguei até a porta e olhei para dentro do pequeno cômodo. Meus olhos se arregalaram e imediatamente se formou um nó no meu estômago. Não estava preparado para o que eu vi. Espantado e ainda sem ação me deparei com uma cena trágica. Iluminada por um pequeno abajur, uma garota amarrada e amordaçada jazia inerte na cama. Olhei para os lados procurando por mais alguém. Ninguém. Só eu e a garota na cama. Onde estaria a outra moça?

Fiquei parado por um momento. O que faria agora? Fugiria? Não poderia fazer isso, não agora. Ela poderia precisar de ajuda. Tomei coragem e me aproximei.

Seu corpo já estava enrijecido. Tentei sentir o seu pulso. Nada. Respiração. Nada. Estava morta. E agora? Chamar a polícia ou dar o fora dali?

”Pense! Pense!” Dizia comigo mesmo.

O melhor era chamar a polícia. Mesmo porque alguém poderia ter me visto entrar na casa e assim anotado o número da placa do meu táxi. Daí para me tornar um suspeito e não uma vítima da situação seria um pulo.

Liguei do meu celular e expliquei resumidamente a situação. Logo estariam ali.

Dei uma última olhada antes de sair e aguardar lá fora.

A música vinha de um CD Player, que estava programado para tocar repetidamente. Olhei melhor para a mulher ali deitada e para minha surpresa ela se parecia muito com a moça que eu trouxe de táxi. “Como? Não poderia ser a mesma… não daria tempo…” “A não ser que… Não! Não pode ser!” – disse a mim mesmo tirando o pensamento absurdo da minha cabeça.

Olhei ao redor procurando outra explicação. Na cômoda ao lado da cama havia dois porta-retratos, nos dois aparecia a foto de uma mulher sozinha. Era a mesma que estava morta na cama e realmente idêntica à moça do meu táxi. “Seriam gêmeas?” As idéias começaram a se embaralhar na minha cabeça e parecia que iria pirar com tudo aquilo.

Antes de sair pude notar que os porta-retratos faziam parte de um conjunto, ali estavam o maior e o menor, mas no meio havia espaço para mais um.  E realmente havia uma marca de pó confirmando isso. Eram três e estava faltando um. “Onde estaria?”

Sai aliviado por não ter que ficar ali, procurando respostas para aquela cena triste. “O mundo estava mesmo perdido. Quantos absurdos” – pensei.

Não tive que esperar muito. A polícia chegou rápido.

Algumas horas depois e já amanhecendo, retornei para a minha casa.

Coloquei o carro na garagem e já ia fechar o portão, quando a Márcia apareceu. Ela morava quase de frente para a casa dos meus pais, às vezes isso era uma desvantagem. O diabo do portão devia tê-la acordado, também ele rangia que nem uma gata no cio. Agora teria que dar muitas explicações.

- Por onde você andou até essa hora? Posso saber? – falou com o tom de poucos amigos que eu já conhecia muito bem.

- Bom dia meu amor. Tudo bem? Você não perguntou, mas está tudo bem comigo…

- Eh! Deve estar mesmo, chegando nessa hora. Olha aqui…

- Calma! Calma! Eu estava na delegacia.

- O quê? Delegacia? O que aconteceu? – perguntou assustada.

- Não se preocupe! Eu não fiz nada de errado.

- Mas fala então o que aconteceu. Fiquei a madrugada toda preocupada. Pensando todo tipo de absurdo.

- Tudo começou quando peguei uma passageira ontem na Augusta. Daí, eu a deixei no endereço e ela me pagou com uma nota de vinte que depois desapareceu…

- Como assim desapareceu?

- Pois é! Desapareceu. Coloquei na carteira e depois quando fui ver de novo a nota não estava mais lá… mas na hora pensei que podia ter me enganado, que talvez tivesse colocado em outro lugar. Então, hoje de madrugada eu peguei a passageira de novo, no mesmo lugar e para o mesmo endereço. E de novo deu 20 reais. Foi ai que pensei: Vou prestar bem atenção na nota e ter certeza que vai para carteira. Mas ai… eu virei para o lado um segundo e depois quando voltei a olhar a nota tinha sumido!

- Mas o que tem isso haver com a delegacia?

- Calma! Eu chego lá.

- Certo.

- Então eu pensei que de alguma maneira a moça tinha me enganado. Sei lá. Tinha feito algum truque. E cai direitinho pela segunda vez… Fiquei muito bravo e fui atrás dela…

- Ai! Ai! O que foi que você fez?

- Caramba! Eu já disse que não fiz nada. Pelo amor de Deus, mulher! Escuta.

- Tá bom! Continua…

- Apertei a campainha e ninguém atendeu. Insisti e nada. Daí eu fui bater na porta, mas ela estava aberta, então entrei…

- Que loucura!

- Pois é… Na hora não pensei direito. Estava com raiva e fui entrando. Estava escuro, só uma luz acesa no andar de cima. E quer saber de uma coisa super estranha?

- O quê?

- A música que estava tocando no andar de cima era a mesma que eu tocava quando apanhei a moça na Augusta. Você sabe… aquele meu lance de trilha sonora…

- Sei… sei… mas continua.

- Subi as escadas, já com a intuição que alguma coisa estava errada…

- Ai meu Deus… então porque subiu?

- Sei lá! Tinha alguma coisa que não me deixava voltar… Vi que o barulho e a luz vinham do quarto, então fui ver se tinha alguém lá… e tinha sim, mas eu nunca esperava ver uma cena daquelas.

- O que foi que você viu? Fala homem de Deus!

- Tinha uma mulher morta em cima da cama, amarrada e amordaçada.

- Santo Deus!

- E quer saber do mais incrível? Ela era idêntica à mulher que eu trouxe de táxi.

- Meu Cristo! Não era a mesma?

- Não! Não daria tempo de alguém tê-la amarrado e amordaçado.

- E não tinha mais ninguém?

- Não.

- E a moça que você trouxe?

- Não sei… parece ter sumido ou fugido… não vi mais. Evaporou!

- Pensei que pudesse ser uma irmã gêmea ou uma parenta muito parecida, mas na delegacia fiquei sabendo que a morta não tinha nenhum parente vivo. E ela vivia sozinha. Parece que era uma garota de programa. Uma vizinha que foi também na delegacia disse que às vezes apareciam alguns homens por lá.

- Quem poderia ter feito uma barbaridade dessas com ela?

- Uma das possibilidades seria a moça que levei lá, mas o estranho é que um policial me disse que a garota amarrada já estava morta há dias. O que significa que pelo menos no dia anterior a moça do táxi já tinha encontrado o corpo.

- Então foi ela!

- Pode ser… Mas mesmo assim não faz muito sentido ela ter retornado e ainda com o mesmo táxi. Não entendi o que esta moça misteriosa queria e porque teria feito aquele truque com as notas.

- Ah! Com certeza queria te fazer de besta. Brincar com a sua cara – completou com desdém.

- Duvido muito. A cara dela não estava para brincadeira. Na verdade nunca havia visto um olhar tão melancólico e triste como aquele.

- Vai ver estava com peso na consciência.

- Vai saber…

- Mas se não foi ela. Quem foi então?

- Disseram que poderia ter sido um cliente, mas também estão averiguando se ela tinha algum tipo de namorado.

- Jesus! O mundo está perdido. E você no meio dessa perdição. Quantas vezes eu te disse para deixar de trabalhar a noite.

- Pronto! Já vem você de novo. Não vou explicar tudo outra vez. Por favor. Preciso dormir senão não trabalho hoje.

- Tudo bem! Mas depois a gente vai conversar direitinho.

Fui dormir e levantei por volta do meio-dia, tomei café e almocei ao mesmo tempo.

Tirei o carro da garagem e fui trabalhar com a cabeça cheia. E não era para menos, a visão daquela mulher morta, amarrada e amordaçada não saia da minha cabeça.

O dia se arrastou comigo tentando não pensar naquela verdadeira história de terror, colocava outros pensamentos na minha cabeça, mas era só relaxar e as cenas voltavam.

Anoiteceu e tentei desviar o meu caminho da Rua Augusta, mas um passageiro quis ir exatamente nela, bem próximo da Paulista. Daí não teve jeito, simplesmente eu não ia dar meia volta ou pegar uma paralela, só para evitar um mal estar. Então decidi aproveitar todo aquele sentimento e construir uma das minhas histórias, comecei a imaginar as cenas e coloquei novamente a música da Adriana Calcanhoto:

“…Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor
Meu bem!

O retrato que eu te dei
Se ainda tens
Não sei!
Mas se tiver
Devolva-me!
Deixe-me sozinho
Porque assim
Eu viverei em paz…”

Era uma noite fria e a famosa garoa paulistana caia suavemente no parabrisa do meu carro. Próximo ao fim da rua quando eu pensei que ia me livrar dos pensamentos pesados, uma mulher ergueu o braço. Cheguei mais perto e me arrepiei. Era a mesma moça. No momento não sabia se parava ou não, mas no último instante sem saber direito por que, pisei no freio e o carro parou bruscamente.

Temeroso abri a porta. Ela entrou normalmente, sem o esforço das outras noites.

Tomei coragem e falei:

- Para o mesmo endereço?

- Não. Vamos hoje para a Rua Olavo Funtin, 344 – respondeu normal sem nenhuma dificuldade, a sua voz já não estava abafada, ou presa… ou… ou amordaçada! “Meu Deus! Não pode ser…” – pensei. Seria loucura demais.

Segui o trajeto todo, num misto de receio, medo e certa curiosidade. Contudo decidi que não perguntaria nada. Quando a deixasse no endereço chamaria a polícia e ela sim, resolveria as coisas. Já estava envolvido demais. Pensava até em absurdos. “Seriam as minhas histórias inventadas atrapalhando o meu juízo?” – indaguei a mim mesmo.

Bom uma coisa era certa e real, houve um assassinato e esta moça de algum modo estava envolvida e o melhor que tinha a fazer era deixar a polícia resolver o caso e encontrar as explicações.

Chegamos ao endereço e a corrida coincidentemente deu 20 reais.

- Vinte reais – disse.

Ela me estendeu uma nota de vinte.

Suspirei e apanhei a nota. Tinha quase certeza que a nota sumiria de novo, porém não disse nada. Só queria que ela saísse logo do carro para eu poder chamar a polícia.

- Obrigado – finalizei.

Antes de sair ela se virou e me olhou de um modo diferente, ainda tinha o olhar triste e melancólico, mas havia um brilho carinhoso quando me disse suavemente:

- Eu é que agradeço a você. Por tudo.

“Por tudo… Que ‘tudo’ seria este?”

Saiu e rapidamente entrou no sobrado à frente.

Puxei o celular do bolso ainda segurando a nota, me atrapalhei para ligar e tive que teclar de novo. De repente um grito vindo do mesmo sobrado. Um grito horrível e desesperado. Um arrepio percorreu meu corpo. Assustado, deixei o celular cair antes de completar a ligação. Sai do carro e fui em direção à casa, não perdi tempo em tocar a campainha e apenas entrei. Subi em direção à única luz no andar de cima. Parei no alto das escadas e vi no final do corredor um corpo caído. Em pé ao seu lado a silhueta da moça misteriosa, e como uma sombra fraca e cansada foi desaparecendo na penumbra até virar um sonho.

Gelado e tomado pela emoção fiquei paralisado por um instante, então encontrando coragem me aproximei.

O corpo era de um homem, seus olhos estavam arregalados e congelados numa expressão de horror, uma das mãos apertava o peito com os dedos tencionados sobre o coração. A outra mão segurava um porta-retrato. Sua moldura era igual às outras que vi na casa da mulher assassinada. Pelo tamanho devia ser o porta-retrato que faltava. Cheguei mais perto ainda e olhei para o retrato. Na foto um casal abraçado. Dessa vez não me espantei, nele estavam o morto e sorrindo com seus olhos tristes e melancólicos a moça do táxi.

Resignado voltei para o carro, tinha que chamar a polícia. No banco ao lado do celular caído havia uma nota de vinte. Desta vez ela não desapareceu. Olhei ao redor como se de repente pudesse ver a moça em algum lugar ou simplesmente a sua sombra. Contudo não havia ninguém.

Então eu soube. Tudo havia terminado e eu nunca mais a veria. Ela estava finalmente livre para seguir seu caminho.

Veja o clipe oficial da música de Adriana Calcanhotto “Devolva-me”:

Conheça mais do tal Tadeu Loppara

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Comentários
  1. Jade Lacey disse:

    Adoro todo este mistério e suspende.
    Adorei

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